Renato Gonçalves
Medianeira, Paraná · 8 minutos de leitura
11 capítulos
Pandemia
Era pandemia. A gente tinha uma padaria e tinha acabado de apostar numa pizzaria pra sair do aperto. Falaram que ia durar 15 dias. Durou dois anos e meio.
A padaria vendia uns R$ 5 mil por dia. Caiu pra mil. E aí, cara, começa aquela fritação na cabeça: demito todo mundo? E se reabrir semana que vem? Abre, fecha, abre, fecha. Eu não queria mandar ninguém embora, então fui colocando tudo o que eu tinha pra segurar o negócio.
Até não ter mais nada pra colocar.
Um dia cortaram a luz. Da minha casa e do meu negócio, no mesmo dia.
Eu lembro de pensar: já passei o constrangimento que eu tinha pra passar. Eu não quero mais isso pra mim.
Só que pra você entender por que aquele dia virou a minha vida, eu preciso voltar um pouco.
Taipulândia, 1991
Eu nasci em julho de 1991, em Taipulândia, no interior do Paraná. Guri curioso, jogava bola, tocava violão e não parava quieto.
Com 11 anos eu já ajudava meu pai, que entregava insumo agrícola. Tarde inteira de sol na cabeça. Foi ali que eu entendi uma coisa que carrego até hoje: se você não aprende nada novo, só sobra o trabalho braçal.
Meu pai e minha mãe não me ensinaram a conquistar nada grande. Não foi culpa deles, tá? É o que vinha dos pais deles também. Então tudo o que eu aprendi foi no tombo. Vai lá, trupica, cai, levanta e vai chutando pra frente.
Foto do Renato criança ou adolescente em Taipulândia (a enviar pelo cliente)
16 anos
Minha mãe falou: faz tua carteira de trabalho, porque com 16 já dá pra assinar. Eu fiz. Na mesma semana em que completei 16 anos, eu já tava registrado.
Ajudante de padeiro. R$ 250 por mês, numa época em que o salário mínimo passava dos 400. Doze horas por dia lavando forma.
R$ 250
por mês, doze horas por dia lavando forma
R$ 400+
era o salário mínimo da época
Difícil? Sim. Mas foi ali que eu aprendi o ofício. Foram 17 anos no ramo: padeiro, confeiteiro, pizzaria, dono de negócio.
Eu via o cara com 35 anos na mesma função indo embora de golzinho no fim do dia e pensava: eu não quero acabar assim.
Com 14 eu já tinha conhecido a Carol, a mulher da minha vida, que tá do meu lado até hoje. Quando veio a notícia do Gustavo, nosso primeiro filho, eu fiz a conta. Trabalhando de CLT onde eu tava, eu nunca ia conseguir dar uma vida melhor pra eles. Pra mim, empreender virou obrigação.
Com 19 anos eu vendi a casa que tinha construído e comprei a padaria do meu pai. Pouco tempo depois meus pais se separaram, a empresa sentiu, e eu, filho mais velho, fiquei no meio segurando as pontas.
Mato Grosso do Sul
Quem me olhasse naquela época ia falar: esse guri tem a vida feita. Casado, um filho, casa, dois carros, padaria bem na frente da prefeitura.
E eu falei pra Carol: vamos vender tudo e abrir um negócio no Mato Grosso do Sul.
Vendi o que dava pra vender, coloquei a padaria inteira em cima de uma carreta e fui. Não tinha nem casa pra morar lá. Nessa época eu estudava pra ser ministro da palavra, e larguei. A galera me olhava e falava: você é doido. E eu respondia: cara, eu quero crescer.
Chegando lá, descobri o que devia ter pesquisado antes. Fronteira com o Paraguai, outro costume. O povo não comia pão de manhã do jeito que a gente come aqui, e o poder de compra era muito mais baixo.
Em um ano eu perdi absolutamente tudo.
O que eu tinha
O que voltou comigo
As roupas, dentro do carro do meu sogro
Pra voltar, tive que pedir pro meu sogro ir me buscar de carro. Vendi os móveis porque não tinha dinheiro pra trazer. Voltei só com as roupas dentro do carro e fui morar de favor num quarto, na casa dele.
Todo santo dia, quando eu acordava e quando ia dormir, eu lembrava disso. E falava pra mim mesmo: aquele resultado lá de trás vai ser pequeno perto do que eu ainda vou conquistar.
“
Momento bom passa rápido. O ruim, se você tirar aprendizado, caminha com você por anos e anos.
Renato Gonçalves
Os anos de sobe e desce
Depois disso não teve linha reta. Fui trabalhar de desossador num frigorífico. Saí, fiquei um tempo parado, meio depressivo, mas eu sabia que ia sair daquilo. Trabalhei numa fábrica de doces. Voltei pra padaria, peguei gosto de novo e comprei outra padaria.
Vieram o João, o Davi e o Samuel. Casa cheia, quatro guris.
Dezesseis horas de pé, saco de farinha de 25 quilos nas costas. Teve época de vender o pão do dia pra comprar a farinha do dia seguinte. Teve o dia em que a Kombi pegou fogo na BR.
E mesmo assim a gente cresceu. Tava bem demais, cara. Aí veio a pandemia, e o resto você já leu lá em cima: pizzaria, luz cortada, R$ 230 mil de dívida.
A virada
Numa dessas noites eu digitei no YouTube: como fazer dinheiro na internet.
Caí num podcast do Thiago Finch. Um menino de 17 anos contando que tinha feito mais de R$ 1 milhão com um negócio chamado dropshipping.
“
Eu olhei aquilo e pensei: esse cara com 17 anos tá fazendo isso aqui, e eu passando necessidade. Não, eu vou fazer igual.
Só que eu não tinha computador.
Liguei pro meu cunhado.
Eu
Cara, eu sei que você tem um computador encostado aí. Me empresta?
Meu cunhado
Te empresto. Por quanto tempo?
Eu
Tempo indeterminado. Mas depois eu te pago em dobro.
Fui buscar no mesmo dia. Sentei e comecei a montar minha primeira loja.
23.03.2022
O dia em que eu abri a primeira loja. Lembro exatamente.
Março a julho de 2022
Eu não sabia nem mexer em planilha. Não tinha ChatGPT, não tinha nada. Era assistir vídeo no YouTube e replicar. Uma coisa de cada vez, uma coisa de cada vez.
Foram quatro meses assim. Todo o meu tempo livre: final de semana, noite, madrugada. Tinha gente que achava pesado. Pra quem passou 17 anos de pé numa padaria, sentar na frente de um computador era férias, cara. Era passear.
Aí eu subi meu primeiro anúncio.
Eu conto esses números porque aconteceram comigo. Existe, mas é exceção, não é a regra. Eu cheguei naquela loja com 17 anos de balcão nas costas e duas quebras na conta.
De aluno em aluno
Quando a operação se firmou, meu nome começou a aparecer nas ferramentas do mercado e nos meios de pagamento. Começaram a me chamar pra podcast. O pessoal começou a me procurar pra perguntar como eu tinha feito.
Eu fiz o que fazia na padaria: mapeei tudo. O que era difícil, o que era fácil, onde eu errei, onde eu acertei. E comecei a ensinar. Um aluno, dois alunos, três alunos.
Eu falava com a galera do jeito que falo com os meus filhos. Puxava a orelha e cobrava, pô. Começaram a me chamar de pai. A galera me apelidou de Pai do Drop e ficou.
Hoje o Thiago Finch, o mesmo do podcast que eu assisti no pior momento da minha vida, é meu sócio.
Hoje
R$ 230 mil
de dívida
Luz cortada
em casa e na padaria
Nenhum
computador
4 filhos
pra criar
R$ 13 mi
faturados por mim em 3 anos
+R$ 200 mi
faturados pelos meus alunos
+3.000
alunos passaram pela mentoria
4 filhos
o motivo de tudo
Mas o número que me faz acordar é outro. É a mensagem de aluno que tava onde eu tava.
Me mandou a foto da moto tombada com um botijão de gás em cima e escreveu: um dia isso aqui não vai ser mais minha realidade. Faturou R$ 2 milhões em uns 7 meses.
Tira uns R$ 500 de lucro por dia. Quando alguém me fala que tá velho demais pra começar, eu conto dela.
Tinha uma verduraria. Fez R$ 1 milhão em uns 6 meses, e depois me mandou a foto da casa pronta.
Resultados individuais, não garantidos. Cada aluno depende da própria execução.
O que ficou
Quando eu olho pra trás, tudo cabe em quatro pontos. A maioria das pessoas tem os dois primeiros e morre nos dois últimos.
Decisão
Não existe o vou ver. Não existe o talvez. Você entra e fala: vai dar certo, eu vou fazer isso aqui o resto da minha vida.
Método
Pior coisa que tem numa operação é você dar um passo e não saber qual é o próximo.
Execução
O mercado tá cheio de gente analítica e estudiosa, mas não tem executor. Estudar um pouco mais virou a desculpa do século.
Disciplina
1% ao dia. Quando você larga, é tipo academia: pra voltar é muito mais difícil.
Pra mim, 70% é mentalidade e 30% é drop. A parte técnica você acha no YouTube. O que trava a galera é a cabeça, e o ego. Só cresce quem diminui o ego.
Medianeira, Paraná
Sucesso é relativo, e eu não tô falando de dinheiro. O dinheiro ajuda, claro.
Eu levo 10 minutos pra deixar os filhos na escola e voltar. Tenho tempo com eles na hora que eu quero. Viajo quando quero. Decido a minha vida. Podia morar em qualquer lugar, e eu não troco Medianeira por São Paulo.
Ainda quero fazer faculdade de teologia, um sonho de criança que ficou pra trás. E escrevi um livro com o nome que resume tudo o que eu passei: Difícil é ser pobre.
Chega de assumir o sonho dos outros. Chega de ser escravo do sistema. Chega de sobreviver. É hora de começar a viver.
Vídeos, prints e placas de quem executou.
O Podcast do Pai e as mesas que me chamaram.
Os resultados citados nesta página são individuais e não representam garantia de ganho. O resultado de cada pessoa depende da própria dedicação e execução.
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